Operação Pergaminho desarticula organização criminosa interestadual e cumpre 70 ordens judiciais
A Polícia Civil de Sergipe deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Pergaminho com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. A ação, coordenada pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e com apoio da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), resultou no cumprimento de 70 ordens judiciais, entre mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens, em Sergipe e em outros estados.
As equipes retornaram ao ponto central da operação com todos os mandados de prisão cumpridos e os alvos localizados, inclusive os que estavam fora do estado. Foram apreendidos aparelhos celulares, notebooks e outros materiais probatórios que serão submetidos à perícia. Também foram recolhidos valores em dinheiro, veículos — incluindo automóveis de luxo —, armas de fogo e munições. Além disso, houve bloqueio de imóveis e de contas bancárias relacionados às investigações.
Segundo o diretor do Cope, Dermival Eloi, a organização criminosa tinha base no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão, com atuação na região metropolitana, em outras cidades de Sergipe e em outros estados da federação. As apurações começaram em 12 de dezembro de 2024, enquanto o líder do grupo ainda estava no sistema prisional sergipano.
De acordo com o delegado, no dia 16 de dezembro o líder rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, mesmo cumprindo prisão domiciliar para tratamento de saúde, o que evidenciou o forte poder operacional e logístico do grupo. A fuga mobilizou ações em vários estados: o investigado passou por Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, até ser recapturado no Paraná, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai, após intenso trabalho de inteligência. Após a recaptura, ele foi transferido para o sistema penitenciário federal, onde permanece custodiado.
As investigações, que duraram mais de um ano, envolveram levantamentos de campo, análises cartorárias e medidas cautelares autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Aracaju. A apuração contou com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que compartilhou provas obtidas em operação deflagrada em agosto de 2024. No total, foram identificados 21 integrantes da organização e cumpridas 70 ordens judiciais.
O esquema revelado pelos investigadores apresentava divisão de funções entre núcleo de liderança, financeiro, logístico, comunicação e apoio externo. Entre os apontados como colaboradores estavam profissionais liberais — incluindo advogada, médico e fisioterapeuta — acusados de fraudar documentos e laudos para favorecer integrantes com medidas judiciais, como prisão domiciliar. Também foi identificada a participação de um policial civil que teria fornecido informações sigilosas e organizado escoltas para o líder enquanto ele ainda estava em Sergipe.
Segundo a investigação, a principal atividade do grupo era o tráfico de drogas e a prática de homicídios, com posterior lavagem de dinheiro. O atual líder teria assumido o comando após a morte dos irmãos em confrontos policiais ocorridos em Sergipe e na Bahia.
As ordens judiciais foram cumpridas em Catanduvas/PR; Salvador/BA; Santo Antônio de Jesus/BA; Irecê/BA; Aracaju/SE; São Cristóvão/SE; Areia Branca/SE; e Tobias Barreto/SE. Participaram da operação equipes do Cope, Recupera, Depatri, Deotap, Detur, Corregedoria da Polícia Civil, Desipe, Depen, Ficco, delegacias de Santo Antônio de Jesus e de Irecê e o Sistema Prisional da Bahia.
A Operação Pergaminho integra a estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).
Da 93Notícias