Roberta Luchsinger diz à CNN que pretende fazer delação premiada
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17), a empresária Roberta Luchsinger afirmou que pretende firmar acordo de delação premiada. Ela é investigada em inquérito que apura sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e com Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e nega ter cometido crime. A entrevista foi gravada […]
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17), a empresária Roberta Luchsinger afirmou que pretende firmar acordo de delação premiada. Ela é investigada em inquérito que apura sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e com Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e nega ter cometido crime.
A entrevista foi gravada no apartamento dela, em São Paulo, e conduzida pelos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco. Foi a primeira vez que a empresária falou a uma emissora de televisão desde o início das investigações que a envolvem.
Quem é Roberta Luchsinger
Roberta Luchsinger é investigada em inquérito que apura sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Ela nega ter cometido crime e afirma que pretende colaborar com a Justiça por meio de delação premiada.
O ponto de partida da entrevista foi uma declaração pública do próprio presidente, que a chamou de “pilantra”.
O que ela disse
O trecho mais duro da conversa foi uma resposta direta a essa declaração:
“Ele me chamou de pilantra. Eu não sou pilantra. Eu sou uma mulher sozinha, com duas filhas, que está enfrentando um processo que eu tenho certeza que um por cento não aguentaria o que eu estou passando.”
Em seguida, classificou a conduta do presidente:
“Uma atitude canalha, uma atitude covarde, uma atitude de mau caráter, que é o que ele é quando ele faz isso.”
A empresária afirmou ainda temer pela própria segurança e pela das filhas, e fez questão de registrar isso no ar:
“Qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas vai ter a digital do presidente da República, vai ter a mão do presidente da República.”
Disse que suas filhas tiveram redes sociais invadidas com ameaças, que a Polícia Federal esteve em sua casa, e questionou por que o mesmo procedimento não teria sido adotado em relação ao filho do presidente. Afirmou também que teve bens bloqueados pela Justiça.
Sobre a natureza da relação com a família presidencial, foi categórica ao se referir a Lulinha e ao pai dele. E sustentou que ministros a procuravam em busca de acesso: segundo ela, pediam ajuda para conseguir agenda com o presidente ou prioridade em algum projeto.
Questionada sobre a possibilidade de colaborar com as investigações, respondeu que não pretende poupar ninguém — nem o presidente, nem o filho dele.
O que dizem os citados
As acusações são negadas pelas partes envolvidas, e as respostas vieram por nota.
Palácio do Planalto: a Secretaria de Comunicação Social informou que o presidente desconhece os fatos relatados e que ele “jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu pedidos dela e não tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas”. A nota afirma ainda que não há contrato entre o governo federal e Roberta Luchsinger.
Defesa de Fábio Luís (Lulinha): o advogado Marco Aurélio de Carvalho minimizou os encontros citados pela empresária e afirmou que seu cliente “nunca tratou de nenhum assunto” nessas ocasiões.
Sobre as visitas ao Planalto: a Secom informou que os comparecimentos de Fábio Luís ao palácio tiveram “caráter estritamente privado e não envolveram matérias relacionadas à Administração Pública”, não produzindo, portanto, qualquer desdobramento administrativo.
O que ainda não está estabelecido
É preciso separar o que foi dito do que está comprovado. Roberta Luchsinger é investigada e apresenta sua versão dos fatos; nenhuma das acusações que ela faz ao presidente ou ao filho dele foi, até aqui, confirmada por decisão judicial ou por conclusão de inquérito.
A delação premiada que ela menciona é, no momento, uma intenção manifestada publicamente — não há acordo homologado. Em um eventual acordo, o conteúdo ainda passaria por verificação, e declarações de colaborador, isoladamente, não servem como prova.
Da 93Notícias
