Brasil registra mais de 2,7 mil denúncias de intolerância religiosa em um ano; matriz africana é o principal alvo

Brasil registra mais de 2,7 mil denúncias de intolerância religiosa em um ano; matriz africana é o principal alvo

O direito à liberdade de crença, garantido pela Constituição, enfrenta desafios crescentes no Brasil. Segundo dados do Disque 100, o canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), foram registrados 2.774 casos de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e os primeiros dias de janeiro de 2026.

O número consolida uma tendência de alta e reforça a necessidade de políticas públicas mais severas. Apenas nos primeiros 25 dias de 2026, já foram contabilizadas 51 denúncias, sinalizando que a violência motivada pela fé permanece constante no cotidiano brasileiro.

O mapa da intolerância

A violência não se distribui de forma igualitária pelo território. Quatro estados concentram a maioria das ocorrências:

São Paulo: 667 denúncias

Rio de Janeiro: 446 denúncias

Minas Gerais: 323 denúncias

Bahia: 211 denúncias

O perfil das vítimas é majoritariamente de adultos entre 30 e 44 anos, evidenciando que a discriminação atinge cidadãos em plena idade produtiva e social.

Racismo religioso: A seletividade dos ataques

Os dados expõem uma realidade cruel: embora a intolerância afete diversas crenças (incluindo evangélicos, católicos e espíritas), o impacto é desproporcional sobre as religiões de matriz africana. Somadas, as ocorrências contra a Umbanda e o Candomblé representam a grande maioria dos registros identificados.

Este cenário é corroborado pela pesquisa “Respeite meu terreiro”, lançada pelo MDHC no final de 2025. O relatório aponta que 76% dos terreiros no Brasil já sofreram algum tipo de racismo religioso.

“A denúncia dá visibilidade a essas violações e fortalece a atuação do Estado na prevenção de práticas discriminatórias”, afirma Franciely Loyze, coordenadora-geral do Disque 100.

Tipos de violência nos terreiros

De acordo com o mapeamento feito em parceria com a Unirio, as agressões se manifestam de diversas formas:

Discriminação: 76%

Agressões Verbais: 14%

Xingamentos: 8%

Agressões Físicas: 3%

Como denunciar

O Ministério reforça que o Disque 100 funciona 24 horas por dia, é gratuito e pode ser acessado por qualquer pessoa que presencie ou seja vítima de intolerância. O registro é essencial para que o Estado possa formular políticas de proteção e responsabilizar os autores.

Da 93Notícias

Daniela Domingos

Daniela Domingos

Jornalista, professora de Filosofia, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing, Gestão Pública e Mídias Digitais, e mestranda em Ciências de Dados

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